sábado, 6 de junho de 2009

árvore genealógica e seres de outra espécie.



Estou no meio de uma aula de História do Direito. Cheguei atrasada como sempre e dessa vez, apenas exatos 60 minutos de atraso. Meu (des)interesse pelo Direito pode ser tema de uma monografia, mas não é sobre isso que eu quero falar hoje. Um grupo está apresentando um trabalho sobre o tema Direito de Família. A palavra FAMÍLIA está no telão, enorme, na minha frente. Sim, fui obrigada a sentar na primeira cadeira, ao lado do professor, porque as disputadas carteiras ao fundo, onde eu posso passear sozinha em meu planeta ouvindo meu mp4 estão todas ocupadas. E agora vocês perceberam que eu não consigo manter um foco. Eu avisei. Enfim, meu ponto é que eu quero falar sobre família.

Quando eu era criança, era bem próxima da família do meu pai. Ia a todos os eventos, todos os Natais, todas as Páscoas. Tinha trezentos primos mais ou menos da mesma idade e a gente se divertia. Por um motivo, que eu não sei ao certo qual seja, na medida em que fui crescendo, fui me afastando deles. Acho que nossos objetivos de vida e nossas convicções começaram a se divergir drasticamente. Quero deixar claro que isso não muda o fato de que eu gosto deles. Pelo menos alguns. E a ligação por sangue acaba me obrigando a não gostar dos outros, mas pelo menos me importar. É família, pôxa. A gente não abandona assim sem nenhuma explicação. Além disso, pra mim o conceito de família não se resume a uma cadeia de DNA compartilhada. “Existe um provérbio antigo que diz que você não pode escolher sua família. Você aceita o que o destino lhe dá. E goste deles ou não, ame-os ou não, entenda-os ou não, você se adequa a eles. E também existe a escola de pensamento que diz que a família que você nasce é simplesmente o ponto de partida. Eles te alimentam, te vestem, cuidam de você até você estar pronto para cair no mundo e encontrar sua própria tribo.” ¹ Admito que nesse aspecto, eu sou híbrida. Acredito que família, além de ser aquela que o destino lhe dá, é aquela que você encontra depois de cair no mundo. Aceito família num conceito amplo. Por isso eu digo que eu tenho pelo menos mais três irmãs e mais um monte de primos e tias com sobrenomes diferentes do meu. O lado bom disso tudo? Você quem escolhe as pessoas que quer na sua vida, depende unicamente de você. Lado ruim? Você nunca sabe o quanto os outros te consideram. E a única saída é assumir o risco. Se um dia eles te abandonarem você vai saber que no fim das contas, aquela que era sua irmã, não passava de um parente distante. E “parente” é tudo igual mesmo. Agora, se eu vou quebrar a cara com a escolha de minha família alternativa? Só o tempo dirá. Adianto que o lado “quebrar a cara” já tem uma torcedora: minha mãe. Ela que vive me dizendo “você gosta muito mais das pessoas do que elas gostam de você”. Espero prová-la errada um dia. Espero que eu nunca tenha que dizer aquele chavão “bem que minha mãe me avisou”.



¹ There's an old proverb that says you can't choose your family. You take what the fates hand you. And like them or not, love them or not, understand them or not, you cope. Then there's the school of thought that says the family you're born into is simply a starting point. They feed you, and clothe you, and take care of you until you're ready to go out into the world and find your tribe.” Meredith Grey - Grey’s Anatomy

2 comentários:

Unknown disse...

Praga de mãe pega. Não pega. Pega. Não sei. Sou sua irmã, sua prima, sua amiga. O que sei é que pra vc eu estou sempre aqui e gosto muito e tenho saudade todo dia. Às vezes ter o mesmo sangue só torna a decepçao maior e o convívio mais doloroso...

Thamires disse...

me disseram uma vez que família se soletra a-m-i-z-a-d-e, pelo sangue ou não, a gente sempre vai encontrar pela vida alguém pra chamar de família ;) SISTER.