sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

drama queen.


Ultimamente as pessoas vivem dizendo "nossa, então sua vida tá boa demais" e na minha cabeça sempre passa "depende o que boa significa pra você". Claro que eu digo "é, tá mesmo" porque realmente não tenho paciência pra entrar numa discussão sobre o que eu perdi com as últimas escolhas que fiz na vida. O problema de fazer escolhas é que vai parecer que a gente sempre fez a escolha errada, porque nunca vai saber como teria sido do outro jeito. Por isso o "e se..." passa na minha cabeça várias vezes ao dia. Com tanto tempo que me sobra ultimamente descobri que eu sou a rainha do drama. E sou mesmo, sempre fui, desde criança. Minha vida nunca tá boa, tô sempre sofrendo e adiando a maioria das decisões importantes que tenho que fazer. Meus textos tão aí pra provar isso. Quando os hormônios não estão em pico e eu penso "friamente" e releio as coisas que escrevi me faz pensar o tanto que eu sou dramática. Algumas reações que eu tenho em determinadas situações, que, graças ao meu descontrole hormonal, eu não consigo controlar, me deixam envergonhada dois minutos depois que eu já aprontei um escândalo. Aí nesses dias que eu tô "fria" eu paro pra pensar quantas pessoas gostariam de estar no meu lugar, enquanto eu ainda tenho esperança de realizar alguns sonhos. Tem gente que já nasceu não podendo sonhar. Quando eu vejo esse blog pensando dessa maneira me dá uma vontade de apagar tudo por ser tão mesquinha e egoísta. De ficar falando em "eu, mim, comigo, pra mim" quando na verdade o mundo não gira em torno do meu umbigo. Mas aí eu penso que seria uma enorme contradição eu apagar tudo porque eu nunca fui uma pessoa altruísta mesmo. Assim como todas as pessoas, eu sou egoísta na maior parte do tempo. We all are. Period.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

"A vida é um sonho. É o acordar que nos mata".


"As horas, as dúvidas. As horas, o tempo. Que ao passar nos vai encurralando na teia das nossas próprias escolhas. O amor. A sua estranheza. O outro. O que a vida é e o que poderia ser. O espanto. A inadaptação. " Michael Cunningham


Ás vezes eu acho que nasci com 60 anos de idade. Eu não sei explicar como que, aos 20 anos, eu consigo ser tão desiludida com a vida, com as pessoas e com os relacionamentos em geral. A verdade é que, aos 20 anos eu vivo como se tivesse 60 na maioria das vezes. Claro que eu tenho a energia de uma jovem da minha idade. Gosto de sair, beber, beijar. Gosto de passar horas me arrumando pra receber elogios quando saio. Não aguento ficar em casa sábado a noite. Coisa de gente jovem. Mas eu me lembro bem, quando era criança, de ver algumas brigas entre meus pais e me trancava no quarto e repetia pra mim mesma em voz alta : "eu nunca vou passar por isso, nunca." E também vi mulheres chorando e sofrendo por causa de relacionamentos. Vi amigas passarem por isso também, então eu cresci cansada. Cresci cansada de ver mulheres sensíveis dependentes de relacionamentos pra atingir uma certa estabilidade emocional. Acho que o maior problema começa quando, ainda meninas, a gente aprende que um dia vamos encontrar nossa "cara-metade" ou a "tampa pra nossa panela". Isso é um erro fatal. Nós somos seres humanos completos, não precisamos de outra "metade" simplesmente porque somos únicos e complexos o suficiente. Não somos metade. Por isso deveriam ensinar as crianças que somos "inteiros" e o máximo que encontraremos é alguém querendo compartilhar sua completude. Não imaginaria, porém, que quando eu me trancava no quarto dizendo a mim mesma, repetidamente, que não deixaria aquilo acontecer comigo, eu estava criando uma espécie de bloqueio. Hoje eu não consigo acreditar em nada. Por isso eu digo que nasci velha. Eu estou cansada quando na verdade eu não vivi quase nada nessa vida. Eu tenho lembranças de coisas que nem vivi. Ás vezes eu tenho a sensação que estou parada numa estação de trem. Aí o trem fica passado e o trem é a vida. Aí tá todo mundo dentro do trem, seguindo viagem. Algumas pessoas param na estação e me perguntam: "Você não vai entrar?" e eu fico constantemente dizendo a mim mesma: "Agora não. Talvez mais tarde". E as pessoas vão embora. Enquanto todos seguem viagem eu fico parada na estação. Eu tenho essa sensação o tempo inteiro. Enquanto o trem continuar passando eu terei a chance de entrar nele e seguir adiante. Mas um dia ele vai parar de passar. E quando ele parar eu vou ter a certeza de que nunca encontrei o que eu estava procurando, porque o que eu estava procurando na verdade nunca existiu.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"pois sabem que não volta jamais um tempo que passou..."

Hoje eu resolvi fuçar meus arquivos de 7, 6 e 5 anos atrás que estavam salvos no meu computador antigo. Encontrei várias coisas que me fizeram rir de como eu era uma menina sonhadora e cheia de planos. Também li umas conversas de MSN muito antigas, com gente que eu nem converso mais. Engraçado como você passa de amigo pra inimigo em dois minutos. Alguns arquivos me chamaram muito a atenção, em especial um texto, em que eu falava de mim, datado de 2003:

"Eu sou uma pessoa muito agitada, nervosa mas inteligente.Tenho facilidade com os estudos e odeio estar sozinha. Gosto da companhia de amigos, de minha família e de lugares com pessoas extrovertidas.Estou sempre a frente das coisas, gosto de liderar.Morro de medo de ver pessoas mortas, de sangue, de acidentes, violência. Morro de medo de hospital."

Eu posso dissecar esse texto todo e dizer que eu mudei 100%. De agitada passei pra lerda. O inteligente eu dispenso. Provavelmente escrevi esse texto no auge da minha personalidade leonina porque eu realmente não gosto mais de estar a frente das coisas, muito menos liderar. Aliás, hoje eu tenho pavor de liderar. Pessoas mortas, sangue, acidentes e violência eu vejo o tempo inteiro e meu trabalho tá aí pra não me deixar mentir. Medo de hospital? Talvez ainda tenho uma certa apreensão. Só não digo que mudei 100% porque eu ainda gosto da companhia dos meus amigos, da minha família, de lugares com gente extrovertida e odeio estar sozinha. Mas acho que isso é meio que universal né?

Outra coisa que me deixou bastante surpresa, foi um questionário que tinha aqui. Eis que selecionei as melhores respostas:

"EU SOU UMA PESSOA: nervosa, amiga, legal,escandalosa, doida
IDADE: 14
QUALIDADES: amiga, verdadeira, malukete
DEFEITOS: Estressada, impaciente, nervosa, revoltada, doida demais
PRETENDE TER FILHOS UM DIA?? Claro que sim!!!
JÁ BEBEU ATÉ CAIR? Nhaum nunca.
EU TENHO ALGUMA RELIGIÃO? QUAL? Católica
SEU TIME: Cruzeiro!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!111
QUAL SUA ROUPA PREFERIDA: Saia jeans"

Acho que eu usava a palavra doida com muita frequência. Nessa época eu ainda queria ter filhos e não tinha sequer beijado na boca. Não conhecia o sabor do álcool. Achava que era católica e usava saia jeans. SAIA JEANS. Gente, pára. Saia jeans hoje me dá medo. Pelo menos eu continuo Cruzeirense. Porque né, meu time é eterno.

E por último, mas não menos importante, uma lista de coisas pra fazer antes de morrer que eu elaborei quando tinha 16 anos e acreditava no amor. Quando "fazer amor" era o termo que eu usava pra sexo. Quando os dois tinham o mesmo significado. Quando eu era mais idiota e mongol do que sou hoje. Em negrito vão meus comentários de 2010, aos 20 anos e seis meses de idade.

Metas da minha vida:

- Encontrar meu grande amor (*bocejos* Preguiça eterna).
- Viajar toda a Europa (Meta firme e forte)
- Fazer mochilão na América Latina (Bacana. Pretendo fazer, mas não é mais prioridade).
- Morar algum tempo na Austrália (Mais pra sonho que pra meta).
- Passar dois dias na praia pelada: eu o sol o mar e a lua (hahahaha Definitivamente não. Não sei viver sem protetor solar. Também odeio areia. E a idéia de ficar pelada sozinha é meio deprimente.)
- Fumar maconha pelo menos uma vez (HAHAHAAHA nessa época eu achava que maconha era "cool").
- Fazer amor ao som de Caetano Veloso, num jardim ("Fazer amor"? Caetano Veloso? Jardim? Será que eu já tinha realizado a meta da maconha? hahahaha)
- Sofrer por amor ( *mais bocejos* Pelamordedeos. Dispenso comentários).
- Ir na África e dormir num campo de refugiados (Gostei. Talvez faça isso um dia se eu chegar a visitar a África).
- Aprender francês, russo, alemão, madarim, espanhol, italiano (Fiz um ano de francês quando tinha 10 anos e seis meses de espanhol, serve? hahaha)
- Fazer uma festa de 30 anos com tudo que tenho direito (Essa eu não esqueci. Aguardem essa festa).
- Dormir num gôndola em Veneza (Visitar Veneza tudo bem. Mas dormir numa gandola? Sei lá, acho a idéia muito poética e alternativa, prefiro o conforto de uma cama num hotel).
- Fazer um cruzeiro nas Ilhas do Pacífico (Se um dia tiver dinheiro pra isso, tá no meus planos, com certeza).
- Fazer amor numa praia deserta (Substituindo o termo "fazer amor" por sexo, só tenho uma indagação a fazer: Areia entrando em todo lugar? Dispenso. Mas no mar é uma idéia interessante).
- Ir no Egito e entrar nas pirâmides (Tudo depende do dinheiro).
- Dirigir pelo menos um filme (Nessa época meu sonho era ser diretora de cinema. Como todos meus sonhos, ficou perdido em algum lugar).
- Ver o fim do Império Americano ( HAHAHAHA "Império Americano"? Nessa época eu era meio anarquista e achava que poderia mudar o mundo).
- Participar de uma revolução ( HAHAHAHAHA essa é ainda melhor que a de cima. Eu tinha espírito revolucionário).
- Lutar por um ideal (????)
- Ir num show do U2 e Madonna (FINALMENTE UMA META QUE REALIZEI!!!! \o/\o/ Madonna, 14 e 15 de dezembro de 2008. Melhores dias da minha vida. Quanto a U2, confesso que nem cobiço mais. Acho que prefiro Shakira ou Britney Spears.)
- Atuar em um filme (Achava que era aspirante a atriz).
- Cantar New York, New York em New York na chuva, em Manhattan (Claramente eu assistia filmes demais aos 16 anos).
- Escalar os alpes chilenos (Tinha o espírito aventureiro. Será que eu realmente achava que tinha preparo físico pra isso? hahahaha)
- Fazer amor com um italiano e ouvir "Ti amo" (Tão brega que meus olhos ardem. Vergonha. Novelas demais, filmes demais, músicas românticas demais fazem isso com o cérebro de uma adolescente).
- Visitar um templo budista (Eu acho que tinha um lado místico também).
- Chegar aos 80 anos e olhar pra trás e vi que realizei pelo menos 80% dessa lista. (Ao que tudo indica, se eu conseguir realizar 5% estou satisfeita).

Eu consegui usar a palavra amor SEIS VEZES numa lista com 25 itens. Isso deve ser algum um tipo de recorde. Eu era aquela menina que acreditava fielmente no amor, naquele amor incondicional, cinematográfico, alucinante e que consome. Obviamente eu sonhava demais.
E eu fico perguntando onde foram parar meus sonhos e minha esperança. Será que existe algum lugar onde todos os sonhos perdidos vão parar? Porque eu preciso voltar a sonhar.