Eu tenho vivido pra fazer malas. Nos últimos três anos eu tenho literalmente vivido pra fazer malas. Há muito tempo que eu não tenho um lugar pra chamar de "casa" mais. E toda vez que eu faço as malas me dá uma sensação ruim. Aquela sensação de que você não tem a mínima idéia de como sua vida será nos próximos dias. Aquela expectativa se transforma em medo e por um momento, quando você está guardando na mala aquela roupa que usou em uma festa memorável, você pensa em voltar atrás. Em desistir e ficar onde você está, porque não arriscar é mais seguro. Só que eu fui uma pessoa que nunca gostou do seguro mesmo. Sempre gostei do perigo e acredito que a graça de tudo é correr riscos. Mas ainda assim, fazer as malas é ruim. Eu sempre digo que fazer as malas é como pegar suas memórias e guardar numa caixinha, que raramente você vai abrir depois. Porque aqueles momentos não voltarão mais. Aquelas pessoas também não. Estou com uma sensação de nostalgia tremenda e um filme está rondando na minha cabeça. Quando eu cheguei aqui, sem nem conhecer a cidade, pra morar com uma colega do cursinho que hoje é uma amiga. Quando eu era a pessoa mais cheia de sonhos em relação ao curso que ia fazer e que hoje é um martírio. Quando eu tinha medo de não fazer nenhuma amizade e hoje tenho pelo menos três grandes amigas. E pensar que talvez eu não terei nada disso mais me deixa triste. Não quero ter que fechar essa caixinha pra nunca mais abrir. Quero deixá-la entreaberta porque eu sinceramente espero que minha história aqui não tenha acabado. E vou confessar, eu tenho esperança de um dia voltar. Sim, ma fellas, isso mesmo. Não sou de tudo pessimista. Ainda tenho esperança.
"Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia."
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia."
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