quarta-feira, 23 de setembro de 2009

drowning on dry land.

uma vez eu estava na praia com meus primos, todos mais velhos que eu e a gente estava no mar. Eu sempre fui pequenininha e mais nova. Aí meus primos que eram os 'descolados' resolveram ir mais pro fundo e eu fui junto. Só que ninguém sabia que eu não estava alcançando mais o fundo, eu estava na iminência de afogar quando eles resolveram nadar pra outro lugar e eu, claro, não consegui acompanhar. Todos saíram felizes de onde estavam, rindo e fazendo piadas e eu fiquei lá sozinha. Afogando. Ninguém me viu. Ou ninguém fez questão de me procurar. Foi quando por sorte minha mãe saiu desesperada da areia gritando com chapéu na mão e foi me buscar. E pra fingir que eu não estava afogando eu simplesmente disse "mãe, que besteira, claro que eu não estava afogando". Eu estou me sentindo assim agora. Como se eu tivesse afogando e ninguém me visse. Mas não é a sensação de afogar em água, é afogar em terra seca. Eu estou afogando e aqueles que estão (estavam?) perto de mim e supostamente deveriam estar ao meu lado estão saindo um a um, rindo e fazendo piadas, enquanto eu fico aqui parada na esperança que alguém um dia me veja e venha me salvar.

Um comentário:

Ricardo disse...

Interessante, você falar em afogamento. Principalmente depois de eu ter mencionado coisa parecida no meu último post. É isso mesmo. A gente às vezes (ou sempre) tem a sensação de estar se afogando e ninguém se dá conta disso. Mas a verdade não é que eles não se dão conta. O problema é que na verdade, todos estão se afogando. E cada um reage pra se salvar. Riem nervosamente, fingem brincar despreocupados, mas cada um está, desesperadamente, tentando se manter à tona.
Você falou com sua mãe que não estava se afogando. É isso. Eles também não admitem. Mas todos estamos no mesmo mar e o mar está revolto. Por isso, Lil, não tente se agarrar em ninguém, ou vocês se afogarão juntos. A gente só se pode salvar sozinho. Dói ter que aceitar isso, mas reconforta saber que não somos os únicos.