
Uma vez me disseram que eu existo atrás de muralhas. Nunca me identifiquei tanto com uma definição sobre minha existência quanto essa. Passei a vida inteira construindo muros ao meu redor. Verdadeiras muralhas. O meu "eu", minha essência, é como se estivesse escondida atrás de inúmeras paredes que ninguém nunca terá acesso. O problema de criar todas essas barreiras acontece quando as pessoas tentam ultrapassá-las e eu tenho medo de onde elas podem chegar. Tenho medo de deixar alguém entrar, bagunçar tudo e simplesmente sair deixando tudo destruído. Muitas pessoas diriam que gostam da bagunça. Eu não. Ela me assusta. Por isso que quando existe a possibilidade de alguém quebrar um dos muros eu me apavoro e coloco cadeados, cercas e alarme. Fico em alerta só com a possibilidade de algúem tocar a campanhia. A verdade é que eu não quero que ninguém destrua meus muros, eu mesma quero derrubá-los. O problema é saber como. Cada vez que eu tento derrubar um, acabo construindo mais dois. E sabe qual a ironia disso tudo? Eu sou claustrofóbica. Ainda bem que existem as janelas.
Um comentário:
Não destrua suas muralhas, não destranque seus cadeados, trus me: a bagunça é infortunamente mais difícil de arrumar. Eu poderia concordar com vc bee, e dizer que quebrá-los por conta própria pode ser a saída, mas além de também não saber como, tô desiludida o suficiente com o estrago que o mundo 'de fora' faz na gente pra querer que você saiba o que significa a 'bagunça'.
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